APICULTURA – Uma visão de negócio

É minha intenção apresentar uma visão pessoal da apicultura como atividade de negócio e de lazer, por isso, qualquer crítica, comentário negativo ou positivo, esclarecimento, explicação deverá ser tomada como uma opinião baseada na minha experiência prática e nos meus estudos particulares, e nunca como uma falácia ou utopia. Estou disponível para discutir, conversar e esclarecer qualquer informação vinculada e posteriormente corrigir o que for necessário.

Pequeno Dicionário:

  • Alça – Gaveta onde se encaixam os quadros onde as abelhas desenvolvem os favos.
  • Apiário – Local onde está situada uma ou mais colmeias.
  • Colmeia – Habitação natural ou artificial de abelhas / Denominação de colónia de abelhas.
  • Cresta – Termo geralmente associado ao ato de retirar o Mel, mas pode ser relacionado com os outros produtos da colmeia.
  • Maneio – Nome usado para referir qualquer procedimento relacionado com a colmeia.
  • Ninho – Caixa considerada base elementar de uma colmeia.

A apicultura pode ser uma paixão, uma atividade anti-stress, uma atividade secundária ou então um modo de vida. É geralmente analisada com uma perspetiva de enxames de abelhas, muitos enxames, ou através da produção de mel, muito mel, que é tão bom a pingar numa torrada ou no copo de leite quente.

Uma colmeia é geralmente vista como uma máquina lucrativa produtora de mel, pólen, própolis, geleia real, cera, favos, abelhas, rainhas e zangões.

Este ramo costuma ser encarado como o parente pobre da agricultura, mas altamente lucrativo, porque se tem a ideia, a meu ver errada, do (pouco) trabalho necessário para deter colmeias e daí advir muitos produtos em larga quantidade.

Antes de embarcar nesta aventura, o (futuro) apicultor deve antes de mais obter várias informações e consoante cada uma delas deverá seguir alguns passos para levar a bom porto o seu objetivo. Explicito somente algumas:

  1. Número de colmeias: O número de colmeias que exige uma mudança radical na forma de maneio situa-se entre 15 e 25, consoante os objetivos de cada um.
  2. Legislação: Deve ser analisada a legislação em vigor sobre a possível localização dos apiários, obrigações perante várias entidades, sobre a apicultura nacional.
  3. Principal produto: Qual o produto principal que será produzido, abelhas, mel, pólen ou outro?
  4. Tipo de Colmeia: É importante selecionar somente um tipo de colmeias (Sim, existem vários tipos) para no futuro conseguir um melhor maneio entre colmeias.

Não é minha intenção abordar todos os pontos relacionados com a apicultura, para evitar dispersão do meu objetivo, por isso selecionei vários assuntos prementes do assunto que decidi apresentar.

Um exemplo da perplexidade do ato de ser apicultor reside no exemplo seguinte. O apicultor decide crestar as suas colmeias e surge uma decisão importante, qual mel deixar nas colmeias. O apicultor deixa pouco mel, surge a necessidade de alimentar em momentos sem entrada de néctar. O apicultor deixa muito mel, há perda de rendimento por parte deste e caso a colmeia morra, perde-se o enxame e o mel em excesso. Sim, outro problema muitas vezes ignorado pelos (futuros) novos apicultores é que as colmeias morrem muitas vezes sem razão aparente.

Outra questão muitas vezes adiada ou esquecida é a relacionada com o armazenamento de ceras, quadros, alças e outros materiais equipamentos somente necessários no ano seguinte. A cera deve ser bem armazenada para que não sofra alterações com mudanças de temperatura ou degradação por parte da traça da cera.

As várias deslocações necessárias para uma apicultura sustentável exige um meio de transporte, seja para as visitas às colmeias durante a primavera para colocação de alças vazias, seja para o transporte de enxames novos, seja para o ato da cresta. Muitos outros maneios exigirão deslocações, mas poderei abordar este assunto em particular noutra ocasião.

Em suma, alguns amigos, colegas, clientes e colaboradores, que tencionam iniciar “novos projetos de vida”, tais como investimentos como jovens agricultores, costumam perguntar-me:

A apicultura é fascinante e parece rentável, aconselha-me a investir nesta temática com a finalidade de “viver” dela?

A minha resposta mais sincera é sempre: Não.

A razão principal para a minha resposta é baseada na falta de conhecimentos específicos que cada vez mais demonstram os interessados pela temática que são (mal) incentivados a apostar na apicultura, no entanto com os devidos conhecimentos base e formação prática, a resposta poderá evoluir para um talvez… Aproveitei este espaço para esclarecer a minha resposta.

Caso tenham apreciado a leitura, deixo no ar a reflexão de contactarem o Mais Aguiar com sugestões de temas relacionados com a apicultura, desde a “abelha” ao “poder económico” por exemplo, que queiram ver abordados por mim.

Cristóvão Oliveira
— Professor e Apicultor
Artigo Publicado no Jornal Mais Aguiar da Beira – Set/2014

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