Aethina Tumida – O meu esclarecimento

Caros amigos, estava eu iniciando mais um texto sem grandes certezas do que abordar, fora casos de filosofia, tais como Sócrates, que logo apareceu o mote para a minha intervenção deste mês. Este foi-me sugerido por um leitor do +Aguiar, que pretende permanecer anónimo. Desta vez tenho a certeza que tenho leitores, pelo menos sem contar com familiares. Fico satisfeito por este facto antes de mais, claro, mas também porque é um sinal de que há interessados na apicultura pelas bandas de Aguiar da Beira.

Tenho de agradecer também à direção do +Aguiar a oportunidade dada a que os meus textos sejam lidos no jornal do concelho, pois sinto-me cada vez mais próximo de Aguiar da Beira que assumo cada vez mais como minha terra, nem que seja por afinidade. Obrigado mais uma vez.

O tema sugerido foi a Aethina tumida, mas que raio de assunto é este? Não está relacionado com os interesses do concelho de Aguiar? Eu responderei que sim, ainda mais que me foi sugerido pelo meu possível único leitor…

Muito se tem falado por aí da Varroa (PREDADOR I), e cada vez mais da Vespa Velutina (PREDADOR II), assume-se que a primeira seja o infortúnio principal da nossa abelhinha de mel, e seja promotora de outras doenças tão ou mais graves, eu concordo. Assume-se que a segunda venha a ter um lugar negativo destacado no destino das nossas apis independente da presença ou não da primeira. Eu também concordo; afinal Velutina já é considerada uma calamidade em algumas zonas no Norte do país, e tudo aponta para que se espalhe muito mais para Sul na próxima Primavera.

Surge então o tema indicado. Irei aproveitar um estudo* muito recente, facultado pelo meu colega e amigo Eng. João Mesquita, para esclarecer o que é a Aethina tumida, o seu comportamento e o ponto da situação.

athena

Na imagem pode verificar-se o tamanho do indivíduo adulto em relação a uma abelha também adulta, claro, e o seu nome completo é Aethina tumida Murray da ordem de insectos Coleoptera, família Nitidulidae.

É geralmente conhecido por “pequeno besouro das colmeias”(TA), intitulado PBC a partir deste ponto no artigo, tratando-se de uma praga exótica na Europa por ter sido introduzido num habitat onde não é/era original. Ele afeta muitas colónias de abelhas em muitas partes do mundo. O PBC é nativo da África Subsariana e foi inadvertidamente introduzido nos EUA em meados dos anos noventa, na Austrália no início do milénio e no Canadá logo depois. Na Europa a sua presença foi descoberta pela primeira vez em 2005, curiosamente em Portugal, através de rainhas importadas dos EUA, mas os insetos foram destruídos pelos serviços veterinários portugueses. Desde esse episódio, a Europa tem estado livre deste invasor até ao momento, pois está já presente na Itália, onde já constitui um episódio de preocupação e a sua propagação para outros países está iminente.

A fêmea do PBC deposita os ovos em fendas e cavidades dentro das colmeias. Os ovos são brancos pérola, com 1.4mm por 0.26mm. Os ovos incubem de um a seis dias, mas a maioria eclode entre dois a quatro dias somente. A larva, que é a fase do maior estrago do PBC, tem uma cabeça relativamente grande e tem saliências ao longo do corpo. O PBC desenvolve-se durante quinze dias até uma fase de maturação crescendo até 1cm alimentando-se de Mel e Pólen, e danificando favos. Neste ponto sai da colmeia e enterra-se no solo perto da colmeia para formar a crisálida. Ao emergir os novos PBC adultos procuram as colmeias, as fêmeas acasalam, e iniciam a nova postura aproximadamente uma semana depois. O PBC consegue ter quatro a cinco gerações durante uma época apícola (Primavera/Verão).

A conclusão é que a Aethina tumida é um perigo em concreto para a apicultura e devemos estar atentos, pois se o seu comportamento é em tudo similar à nossa já velhinha Traça/Borboleta da cera, tanto é mais devastadora, porque a apis não consegue defender-se deles, aparentemente. Conhecemos e vivemos diariamente com a Traça e sabemos que esta, pelo menos, só surpreende e dizima colónias fracas. Será que a Aethina tumida é ou será o PREDADOR_3? Não percam os próximos episódios…

*A new pest for European honeybees: first report of small hive beetle (Aethina tumida, (Coleoptera: Nitidulidae) in Italy; Vincenzo PALMERI, Giuseppe SCIRTÒ, Antonino MALACRINÒ, Francesca LAUDANI, Orlando CAMPOLO;  Dipartimento di AGRARIA, Università “Mediterranea” of Reggio Calabria, loc Feo di Vito ‐ 89100 ‐ Reggio Calabria, Italy.

(TA)Tradução do Autor.

Cristóvão Oliveira
— Professor e Apicultor

Artigo Publicado no Jornal +Aguiar da Beira – Jan/2014

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2 thoughts on “Aethina Tumida – O meu esclarecimento

  1. Saudações professor Cristovão. Não sei quantos leitores tem no seu jornal da sua terra mas pelo menos no seu blog tem pelo menos um leitor assiduo que sou eu 😀
    Conheço as suas intrevenções num dos foruns de apicultura e como tal tenho admiração por si enquanto apicultor.
    Quanto à pontencial praga numero 3 que refere no artigo, posso dizer do que tebho lido é que embora seja mais voraz que a traça da cera, mesmo assim as colonias fortes tem muito mais propensão em vencer a praga. Espero que assim seja. Um abraço dos Açores 🙂

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