A Rainha

 

Numa anterior intervenção falei de enxames, mas o que seria um enxame sem o seu principal elemento, a sua rainha. No entanto um enxame, e quando digo enxame, refiro-me a colmeias no geral, não deixa de ser um enxame sem rainha, pois tantas vezes há momentos em que ela não existe. Nestes momentos as abelhas apressam-se a resolver o problema, mas nem sempre resulta, coisas da natureza.

Ao encontrar uma colmeia com alvéolos reais a cada semana, havendo em cada momento ovos do dia, a colmeia e a repetiva rainha querem enxamear, por isso a colmeia tem rainha, mas está com um probelma.

Em preparação ao evento da enxameação a rainha reduz a sua postura, mas não deixa de pôr, apesar de assim o parecer, por apicultores menos experientes. As abelhas põem-na a caminhar e a “fazer exercício”. Consequentemente ela perde peso e ganha novamente a capacidade de voar. Como os ovários começam a reduzir-se, para ganhar peso também, resulta daí a aparente “falta de postura”. Logicamente nesta fase a rainha quase não põe ovos ou muito poucos e preferivelmente dentro dos tantos alvéolos reais que as abelhas foram preparando.

O processo de falta de postura normalmente dura poucos dias antes do enxame sair, no entanto normalmente o enxame não sai sem nascer a nova princesa.

Enquanto o enxame sai ou não sai, a postura é ou não é, o espaço vazio é preenchido com o abundante néctar e pólen que entra nesta época, o que leva muitas vezes a ninhos bloqueados; temos de estar atentos.

O apicultor ao remover os alvéolos de rainhas constantemente, destruindo-os, prolonga esta situação para além dos acontecimentos naturais e posteriormente a rainha fica cada vez com menos capacidade de por ovos, pois como já referi normalmente ela só sai após nascimento de nova(s) princesa(s); por vezes antes mesmo de haver postura nova. Também pode acontecer, após saída do enxame, que a(s) princesa(s) nunca chegam a ser fecundadas, por causa do mau tempo ou outras causas naturais e lá se vai a colmeia; temos de estar atentos.

(Transitoriamente) Eu recomendo fazer um enxame nu ou outro desdobramento com esta rainha, assim simulando os acontecimentos naturais, aproveitando os alvéolos reais já existente para uma série de desdobramentos ou pequenos enxames. Assim trabalhamos com o impulso da enxameação em vez de trabalhas contra ele, ou seja, contra a natureza.

No fim avalia-se com calma a postura dos novos enxames/desdobramentos, do enxame “novo” com a rainha “velha”. Quem puder ou souber substitua as rainhas por rainhas selecionadas, se as mesmas não corresponderem aos critérios pessoais. Cada apicultor tem os seus critérios; cada local tem as suas características.

Cristóvão Oliveira
— Professor e Apicultor

Artigo Publicado no Jornal +Aguiar da Beira – Junho/2015

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