VARROA (1)

 

Após uma pausa, de “férias” nas minhas crónicas, decidi finalmente abordar o tema varroa.

Podia começar uma extensa descrição científica, mas deixemos essas definições e explicações para os cientistas, que muitas vezes, nem uma colmeia tiveram ou sequer viram. Referenciar-me-ei à varroa como um apicultor a costuma ver, ou seja como um conjunto de sintomas existentes que por uma razão ou outra enfraquece a colmeia e que muitas vezes origina uma morte. Uma varroa é um parasita, do género das vulgares carraças dos nossos animais de estimação mais conhecidos: Cão e Gato. No caso das abelhas, a principal diferença é que o parasita coabita com a abelha ainda em “bebé”, evoluindo e nascendo junto com o seu hospedeiro.

Nas minhas crónicas tenho adiado aprofundar o tema varroa, porque em boa forma, seria certo perder-me e divagar, fugindo dos temas escolhidos. A varroa é no momento, e reforço momento, o maior flagelo da apicultura e em certa forma a única preocupação válida dos apicultores. Uma preocupação que se torna ainda maior quando alguns apicultores assobiam de lado dizendo que é uma doença que não precisa de ser tratada, ou ainda pior, quando aplicam ou continuam a aplicar alguns tipos de (não)tratamentos só porque o “Chico-esperto” do vizinho disse que sim, que era o que era bom. Obtém-se o conceito da certeza de uma morte anunciada.

Infelizmente não só a doença ou o parasita em si são um flagelo, pois as escolhas de alguns apicultores, as decisões de quem governa através das respetivas associações, e por parte dos nossos representantes como apicultores, ao longo dos anos tem vindo a cavar um fosso entre a luta contra varroa e um resultado de sucesso.

Tal como na filosofia antiga, têm-se desenvolvido vários pensamentos na apicultura. E na luta contra a varroa acontece o mesmo. Há os que defendem uma apicultura natural. Outros defendem uma apicultura profissional numa visão de negócio. Ainda há os que não defendem uma posição, mas seguem religiosamente a respetiva associação, o que de certa forma, sem culpa própria, vão cavando a sua própria sepultura (A sepultura das suas colmeias, salvo seja…). Por fim, numa mescla de pensamentos, surgem ainda os apicultores do facebook, ou seja os que seguem as modas e vão tentando/experimentando tudo o que aparece. Dentro de cada linha de seguidores ainda há os que estão em Biológica com certificação e outros estão em Biológica sem certificação. No entanto seja qual for o pensamento, com a qual o apicultor mais se identifica, ele terá obrigatoriamente de lidar com varroa, e faço um alerta que não referi “tratar” a varroa, mas sim “lidar” com ela, pois se ela não for reduzida (eliminar é quase impossível) de tempos em tempos, o apicultor terá de lidar com ela mais cedo, tratando, ou mais tarde com consequências desastrosas, por vezes originando conversas sobre CCD, que seriam evitadas. Repito, o apicultor deve lidar com a varroa, ponto.

Existem no mercado, atualmente e dentro dos que conheço, uma série de produtos, que se tentam chamar de medicamento para tratamento contra a varroa, mas eu insisto a chamá-los de produtos, pois alguns não são medicamentos, mas sim autênticas purgas, na minha modesta opinião. Em relação aos produtos ditos farmacêuticos, ou medicamentos veterinários, a panóplia de marcas têm na sua génese um de três princípios ativos, que na verdade são os responsáveis pela eliminação da varroa, são eles Tau-fluvalinato, Amitraz, e Flumetrina.

Em contrapartida, temos disponíveis no mercado outros produtos, ditos medicamentos e adequados à apicultura Biológica (com ou sem certificação). Os princípios ativos, dando-lhes o mesmo nome, são o Timol, Ácidos, e Óleos Essenciais.

Existem ainda, no seguimento de uma apicultura mais natural, mecanismos de gestão das colónias que ajudam a reduzir a varroa.

Para cada um destes 3 tipos de tratamento irei entrar mais profundamente numa próxima edição das minhas crónicas, assim como as marcas disponíveis no mercado para cada um deles, sempre baseado na minha experiência.

Todos os tratamentos ou métodos são válidos, nunca afirmarei o contrário, mas afinal perguntam vocês: “Tanta conversa e qual é afinal o melhor tratamento, princípio ativo, ou melhor forma de lidar com a varroa?” Não irei responder já, talvez no próximo artigo, e sempre com base na minha experiência e opinião pessoal.

No entanto cada apicultor poderá pesquisar sobre os conceitos que aqui referi e assim cultivar uma opinião ou então também já ter uma ideia bem definida e válida com a qual terei sempre a disponibilidade de conversar e discutir sobre o assunto, porque a aprender estamos sempre. A única certeza que tenho é que, como apicultores, devemos todos lidar com a varroa o mais cedo possível.

Para finalizar deixo uns pequenos avisos pessoais: “Não esperem pela vossa associação para tratar/lidar com a varroa…”, “Não tratem a varroa com produtos não certificados para o uso em apicultura, mesmo que o princípio ativo seja o mesmo…”, “Não tratem no dia que vos dá mais jeito ou só porque sim. As temperaturas e condições climatéricas devem ser respeitadas. O estado das colmeias (presença de mel, por exemplo) deve ser fator de decisão…”, “Desejo-vos bons tratamentos…”

Como avisei nas minhas crónicas, o tema varroa daria um artigo, pois enganei-me, e assim finalizo o VARROA (1).

 

Cristóvão Oliveira
— Professor e Apicultor

Artigo Publicado no Jornal +Aguiar da Beira – Agosto/2015

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