Lei de Farrar

Aproveitando a aproximação desta quadra natalícia, e do aparente descanso apícola, porque não pensar em novas atitudes no início da próxima época que está prestes a iniciar, mesmo ao virar da esquina, ou então manter as mesmas atitudes pelas melhores razões.

Ainda hoje em dia há quem defenda que se deve utilizar grade excluidora nas colmeias durante a produção de mel. As razões evocadas resumem-se certamente à indesejável presença de criação nos quadros superiores, mas será essa uma razão suficiente perante os inconvenientes obtidos.

Na minha opinião, fora casos muito específicos, onde se incluem, entre outras, formas de controlo na criação de rainhas, o uso dessa grelha é totalmente dispensável e mesmo indesejável. Ao aplicá-las estamos principalmente a restringir a área de postura da rainha e de modo proporcional estamos a desperdiçar um maior potencial de colheita de mel e de outros produtos da colmeia.

Surge na primeira metade do século passado um estudo que se intitulou Lei de Farrar, que prova diretamente a relação entre o potencial de crescimento de uma colmeia (de forma livre) e a produção de mel correspondente, e por consequente qualquer produto da colmeia.

Farrar é o nome do entomologista e apicultor Clarence Farrar que realizou vários estudos sobre o comportamento das abelhas, ao estudar a dinâmica populacional e curvas de crescimento, observando o crescimento e decréscimo da população de abelhas ao longo de uma temporada. Claro que esta curva esta relacionada diretamente com a presença de flora (néctar), mas o espanto verificou-se perante várias colmeias nas mesmas condições.

As suas descobertas são hoje um conhecimento básico de muitos apicultores, dado que se costuma dizer que uma colmeia forte (o dobro de outra) produz mais do que o triplo ou quadruplo da colmeia de referência. Quando se diz isso, estamos a fazer alusão a lei de Farrar pois foi ele nas suas conclusões que conseguiu demonstrar que uma colmeia de 60.000 abelhas produz  1,54 vezes mais do que quatro de 15.000 abelhas (ou seja 60.000 abelhas).

Farrar também verificou que uma colmeia com uma população de 2.000 abelhas, 20% delas são campeiras. Quando a população é de 5.000 abelhas a percentagem de campeiras já é 25%. Se o número total de abelhas for 60.000 a percentagem de campeiras já será de 65% o que se traduzirá num maior rácio de produção de mel por abelha. Eis assim a razão pela relação direta entre NÚMERO DE ABELHAS e PRODUÇÃO.

Tais cálculos demonstram que o aumento de abelhas na colónia aumenta a produção de forma mais exponencial e menos linear como se poderia pensar anteriormente. Mais do que esta conclusão as descobertas de Farrar também incluem que existe um paralelo entre o peso total de abelhas e o rendimento destas, ou seja a produção das abelhas em mel. Farrar descobriu que 1 kg de abelhas (cerca de 10.000 abelhas) tem capacidade de produzir 1 kg de mel numa temporada. Mas se forem 2 kg de abelhas, essa produção já será de 4 kg de mel na mesma temporada. A fórmula é simples, basta usar sempre o peso das abelhas ao quadrado (elevado a 2). Portanto, 6 kg de abelhas (aproximadamente 60.000 abelhas) tem a capacidade de produção de mel de 36 kg.

Exemplo: 1 kg 12 = 1 x 1 = 1 kg de mel  vs. 6kg 62 = 6×6 = 36 kg de mel.

Quais as conclusões que podemos tirar? 

Conhecer esta regra deve fazer o apicultor reconhecer que quanto mais prolífera for uma rainha, mais capacidade terá essa colónia de produzir mel. Daí que restringir a postura de uma rainha com uma grelha excluídora é desaproveitar todo o potencial de uma colónia.

Este método de controlo ou para facilitar maneios futuros não se justifica. Em minha opinião somente em casos muito específicos como criação de rainhas entre outros casos é que o uso de tal grelha pode ser justificável.

Sempre que uma rainha suba às alças para fazer postura, nada melhor que acrescentar mais alças. Deve-se, sim, verificar eventuais bloqueios no ninho ou falta de espaço para criação.

Este artigo teve o apoio do colega apicultor Luís Medeiros do Açores através do seu Blog: http://abelhasfuriosas.blogspot.pt/. A ele o meu obrigado, um Bom Natal e Boas Apiculturas Insulares.

Aos leitores do Mais Aguiar, os desejos de umas Festas Felizes e um Bom Natal junto de quem mais estimam, e sempre regadinho de MEL ou com outros produtos da Colmeia..

Cristóvão Oliveira
— Professor e Apicultor
Artigo Publicado no Jornal +Aguiar da Beira – Dezembro/2015

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