O pequeno zangão Miguel

(Ler antes)

A primeira coisa que Miguel reparou foi que a Escolhida gostava de alguns opérculos antigos, cujas superfícies estavam bem polidas. A Escolhida passava muito tempo sobre esses opérculos, estudando pouco a pouco, cada milímetro, e passando muitas vezes sobre os mesmos, talvez a razão do polimento, que originava um brilho acima do normal. Uma abelha de grande concentração, concluiu Miguel, e de grande resistência mental.

Após uma semana a Escolhida desapareceu. Passaram umas horas,  depois um dia, depois dois dias e Miguel receou que ela o tivesse descoberto e partido para sempre, mudando de colmeia. Algo que muito raramente poderia acontecer, mas isso Miguel desconhecia, porque muito do mundo que ele conhecia não passava do constante medo de ser descoberto, o que obrigava o pequeno zangão a permanecer sempre na sombra. Aborrecido até ao protocérebro sem a rotina de observação, o pequeno zangão meteu-se em sarilhos. Foi apanhado a alimentar-se de um pólen, algo especial, muito perto de uma área restrita. Umas das abelhas guardas expulsou Miguel da colmeia.

Mas, após uma horita, o pequeno zangão conseguiu voltar, usando para tal as suas artimanhas de dissimulação. Instalou-se no canto esquerdo onde poderia passar horas despercebido. E esperou, observando. Após algumas horas, muito perto da noite, começou a ouvir um zumbido muito característico, algo que lhe era familiar.

A Escolhida tinha regressado.

(Continua)

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