O Transporte das Alterações Climáticas!

A chegada do grande calor nos últimos dias e a leitura de um artigo de um blog de um amigo fez-me refletir sobre o futuro da apicultura no interior, talvez um futuro não tão distante como se possa pensar. De qualquer forma os noticiários abrem de novo com alertas amarelos, laranjas e vermelhos. Para quem dizia no início do ano (antes de 2 de Março) que seria um ano de seca, talvez a seca do século, talvez ainda venha a sê-lo. De qualquer forma, passou um ano desde o desastre principal dos incêndios de 2017, e nem 50% do que deveria ter sido limpo, o foi de facto. A meu ver nem 10% foram limpos, pois o critério utilizado e a política ambiental adoptada estão completamente desajustadas da realidade.

A política ambiental em vigor lançou medidas que se irão diluir com o passar dos anos. Agora em Agosto de 2018, se analisarmos os terrenos limpos em Março deste ano, pode verificar-se que estão já a transgredir a lei. Isto pode ter consequências desastrosas, se me faço entender. Urge desenvolver medidas de ordenamento sério e um cadastro de todas as terras. Estas ideias têm sido prometidas ano após ano, ciclo eleitoral após ciclo eleitoral e nada tem sido implementado. Falam-se em concelhos pilotos, mas tudo fica em águas de bacalhau.

No entanto, quanto à apicultura, ainda esta semana falaram na TV alguns meteorologistas, explicando que as ondas de calor serão muito mais frequentes e cada vez mais intensas, e que no prazo de 30 anos poderão ser até 10ºC mais elevadas que na actualidade, atingindo os 55ºC em certas zonas. Ainda referiram que pode acontecer antes, ou pelo menos alguns anos excepcionais até ser regra geral. E basta um ano para ser desastroso na apicultura e ter consequências para vários anos seguintes.

Basta conhecer um pouco sobre apicultura para saber que um enxame ou uma colmeia mesmo forte passa muito mal com temperaturas acima de 40ºC. No ano de 2017 e já esta semana (estamos em 2018), com os picos de calor no interior do país tive várias colmeias cujas alças, e mesmo ninhos estavam limpos de mel, quando algumas semanas antes se avizinhava uma boa produção. Portanto picos de temperatura superiores a 50ºC no interior irão muito provavelmente inviabilizar a actividade apícola, pois é altamente improvável que um enxame sobreviva a temperaturas da casa dos 55ºC.

Que alternativas temos, sabendo como é produtivo o nosso interior, sempre que os enxames chegam com força e vitalidade capazes de aproveitar as nossas curtas florações de Urze e Castanheiro entre outras?

No artigo do blog que refiro, como forma a poder continuar a contar com estas zonas no interior,  surge a ideia da transumância de todo o efectivo para juntinho do mar durante os meses de grande calor, sobretudo para a faixa a norte de Lisboa. Eu apresento outra opção, que pode ser a de aproveitar as altitudes, pois ainda hoje estavam 45ºC cá em baixo e acima dos 1500m verifiquei 30ºC. Subir 1000m será decerto mais económico do que passear 300km.

Mas mais uma vez, surge o problema do transporte, pois para qualquer das duas soluções, fará necessariamente falta o reconhecimento pela DGAV de apiários grandes e que sirvam de local temporário, bem como de uma nova e adequada legislação sobre o transporte de colmeias, ou então uma agilização dos processos.

Ficam as sugestões!

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